Água de poço artesiano costuma ter fama de água pura, e muitas vezes é mesmo: a água que vem do fundo da terra passa por camadas de solo e de rocha que filtram boa parte das impurezas. Mas "costuma" não basta quando a água vai para o copo. A qualidade depende do aquífero, de como o poço foi construído e de como ele é cuidado, e só a análise de laboratório dá a resposta.
O que muda a qualidade da água
- A própria rocha: ao passar pelo subsolo, a água dissolve minerais. É assim que aparecem, por exemplo, o ferro e o manganês, que deixam a água amarelada e mancham a louça, ou a dureza, que forma crosta branca nas torneiras e no chuveiro.
- A contaminação de fora: fossa ou sumidouro perto do poço, criação de animais, lixo, adubos e defensivos agrícolas. Quando a água da superfície acha um caminho para dentro do poço, leva junto bactérias e outras substâncias.
- O próprio poço: sem revestimento adequado, sem laje de proteção na boca ou com a tampa aberta, ele vira um atalho para a sujeira chegar ao aquífero.
Sinais de alerta
- água turva, amarelada ou avermelhada;
- cheiro de ovo podre, de terra ou de esgoto;
- gosto metálico ou salgado;
- manchas nas louças, na roupa branca e nos azulejos;
- areia ou lodo na caixa d'água;
- mudança depois de chuvas fortes, de uma enchente ou de um conserto no poço.
O mais importante, porém, é o que não se vê: bactérias e muitas substâncias não mudam a cor, o cheiro nem o gosto da água. Água cristalina não é sinônimo de água boa para beber.
O que a análise verifica
Para dizer se a água serve para o consumo humano, os resultados são comparados ao padrão de potabilidade do Ministério da Saúde (Portaria GM/MS nº 888/2021). Em geral, a análise olha:
- a parte microbiológica: coliformes totais e a bactéria E. coli, sinal de contaminação por fezes, que não pode aparecer na água de beber;
- a parte física: cor, turbidez, cheiro e gosto;
- a parte química: pH, ferro, manganês, dureza, nitrato e outros parâmetros, conforme o uso da água e o que existe ao redor do poço.
A coleta faz diferença: frasco próprio, cuidados para não contaminar a amostra e prazo para chegar ao laboratório. Amostra mal coletada dá resultado errado, para melhor ou para pior.
Com que frequência analisar
- no poço novo, antes de começar a beber a água;
- depois de uma limpeza, de um conserto ou de uma enchente;
- sempre que a água mudar de aspecto, cheiro ou gosto;
- de tempos em tempos, pelo menos uma vez por ano, se a água é usada para beber, cozinhar ou na produção de alimentos.
Se a análise mostrar um problema
Quase sempre há solução, e ela depende do que apareceu. Contaminação por bactérias pede a desinfecção do poço e da caixa d'água e a busca da origem (a laje, a tampa, a fossa). Ferro e manganês costumam ser resolvidos com filtros próprios; a dureza, com equipamentos que tiram o excesso de minerais. Depois do tratamento, uma nova análise confirma o resultado.
Como proteger a água do poço
- laje de concreto ao redor da boca do poço e tampa sempre fechada;
- fossa, sumidouro, curral e depósito de produtos químicos o mais longe possível do poço, e nunca acima dele no terreno;
- caixa d'água limpa e tampada, com limpeza periódica;
- manutenção do poço e da bomba em dia.
A Essencial faz a coleta e a análise da água de poços, explica os resultados e indica o que fazer quando algo precisa de atenção. Quer saber como está a água do seu poço? Fale com a equipe.